segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Afinidade Mágica. P-246

Assim que caiu no piso daquele lugar, Bah já tomou uma posição defensiva. Mas, aparentemente, não havia ninguém por ali. Sim, era o Recinto das Portas! Ouviu passos que se aproximavam depressa. Duas fandans entraram em seu campo de visão, não foi surpresa total, mas ali estavam Athina e Cachinhos Dourados, as duas muito sorridentes.

— Bah, desculpe o mau jeito! — disse Athina.

— Então era você o tempo todo?

— Exato! Eu descobri que posso deslocar fandans de um canto para outro dentro da ilha. As portas me mostraram isso. Eu vi você na floresta com seus alunos e resolvi tentar, foi a primeira vez que fiz isso, mas não tinha como te avisar. Sei que não foi certo, lhe causei preocupação, afinal, você é responsável pelos seus alunos. Me empolguei, desculpe.

— Está desculpada. Acho que talvez você esteja precisando de um comunicador, como nós, professoras, temos e também as guerreiras do EVA.

— Sim, é verdade. Mas quanto a isso, tenho outra novidade! Estou desenvolvendo uma outra habilidade igualmente empolgante! Comunicação de mentes! — Bah, fez cara de espanto — Estou tentando com a rainha Lara, com a permissão dela, é claro. Como todas as habilidades, nem todos os fandans terão acesso, pois nem todos podem desenvolver telepatia. Não é maravilhoso?

— Sim, com certeza! E como está indo com a rainha?

— Ela sente dentro de sua mente que alguém está falando com ela, mas ainda não consegue entender o que estou dizendo. E outra coisa: você e Cachinhos Dourados podem se desenvolver muito com as portas. Sinto muita afinidade mágica em vocês!

Bah ficou realmente impressionada com as novas habilidades de Athina. Pelo jeito, as portas mágicas estavam abrindo um leque de possibilidades novas, não só para a maga, mas para todos os fandans. Ficou imaginando o que conseguiria aprender quando fosse sua vez de testar as portas. Pensou em pedir a Athina que a mandasse de volta para casa junto com Cachinhos Dourados. Mas, olhando atentamente, percebeu que ela parecia muito cansada.

— Acho que você deveria descansar, Athina.

— Sim, estou realmente precisando. Estou há 4 dias aqui, minha energia mágica está na reserva. 

 Bah lembrou que Athina era de um signo de fogo, tendo uma intensa e quase infindável energia, mas tudo tem limite. Enquanto Athina se preparava para ir embora, Bah se despediu dela, pegou Cachinhos Dourados pela mão e a levou para casa.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Bah investiga outra vez. P-245

Bah respirou fundo e manteve a calma, ela sabia que a pior coisa que poderia acontecer naquele momento era entrar em pânico. Chamou pelo comunicador outra professora que estava livre e perto dali. Sim, as professoras se comunicavam quando estavam em campo usando um comunicador muito parecido com o telefone celular dos humanos. Quando a professora chamada chegou, Bah não contou nada do que estava acontecendo, entregou os sete alunos a ela, pedindo que os levasse de volta em segurança. Quando ficou só na floresta, finalmente entrou em ação. O silêncio tomou conta e tudo estava extremamente quieto, nem vento passava por ali. Tinha algo estranho naquele lugar, mas não era como antes; no dia em que o túmulo sinistro foi achado, era perceptível que algo maléfico estava no ar, desta vez não. Aquele ar parado não causava medo.

Primeiro, Bah usou as táticas que tinha aprendido no grupo EVA para achar pessoas perdidas. Isso durou uns 30 minutos, ao fim dos quais nada encontrou. Cachinhos Dourados tinha sumido rápido demais, isso só podia acontecer se houvesse magia envolvida. Se concentrou, lembrando-se de suas aulas de magia. Havia uma magia que funcionava como rastreio. Bah se posicionou no lugar onde estava com seus pequenos alunos quando Cachinhos Dourados sumiu. Quando falou as palavras mágicas, um rastro de luz dourada seguiu da trilha até duas árvores situadas a uns 50 metros dali e parou. O rastro de luz parecia formar uma porta entre as árvores, a luz foi ficando mais forte e, de repente, um braço feminino surgiu acenando. Será que tinha sido aquilo que a pequena Fandan tinha visto?

Bah caminhou até as árvores, como que hipnotizada, o aceno era irresistível. Naquele momento, algo inesperado aconteceu: ela se viu no meio de uma espécie de turbilhão de luz e vento. "Estão me levando daqui! Deve ser a mesma pessoa que levou Cachinhos Dourados!" Não tinha como reagir, foi tudo muito rápido. Em alguns segundos, não estava mais na floresta, estava em outro lugar com paredes e portas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O desaparecimento P-244


Enquanto Athina treinava sua mente e sua magia no recinto das portas mágicas, a notícia de que todos os fandans teriam direito a fazer o mesmo se espalhou rapidamente nas duas cidades da ilha. Todos queriam ter esta experiência tão especial e diferente. Foram designados funcionários de ambos os palácios para organizar a lista dos participantes. Quem teria prioridade? Os mais idosos, com mais experiência de vida, e também os mais habilidosos em artes mágicas, que poderiam ajudar muito a Athina e suas pupilas em caso de um ataque à ilha.

Bah ficou na lista de prioridades, afinal, ela era aluna de Athina, fazia parte das guerreiras do grupo EVA e era mãe do filho do príncipe de Esmirna. Depois de tantas aventuras e problemas que todos haviam enfrentado com muita coragem, ela acabou se tornando muito amiga da rainha Lara e era a conselheira real mais jovem que Solemar já tinha visto. Bah sentiu um entusiasmo tão grande que mal conseguia esperar sua vez de entrar no recinto das portas.

A loja de Milka passou por adaptações, pois era justamente ali a entrada para as portas mágicas. Ela estava muito satisfeita, pois sua loja estava sempre cheia com esta novidade e as vendas tinham aumentado bastante.

Foi por aqueles dias que algo inusitado e preocupante aconteceu. Bah, tinha levado seus pequenos alunos para mais uma aula de campo no meio da floresta de Esmirna. O local era bem próximo de onde, no passado, foi encontrado um túmulo antigo e sinistro que posteriormente foi destruído. Após este episódio, a floresta voltou à sua exuberância normal, e nada de mau pairava por ali. Pelo menos era isso que todos pensavam.

Bah e seus alunos, oito pequenos fandans, entre eles a pequena Cachinhos Dourados, andavam pela trilha e eram apresentados a espécies de árvores, arbustos e pequenos animais que estavam por ali ao redor deles. Bah, mantinha todos juntos e, de vez em quando, contava, para constatar que estavam mesmo todos ali. Cachinhos Dourados começou a se afastar aos poucos do grupo, algo parecia lhe chamar a atenção por entre as árvores e ela ficava sempre para trás, estática e em silêncio. Bah, puxava a criança de volta ao grupo. Em determinado momento, vários coelhinhos apareceram na trilha e todos os alunos ficaram alvoroçados. Todos? Bah, voltou a contar, só havia 7 crianças ali. Cachinhos Dourados tinha desaparecido.

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