domingo, 6 de setembro de 2026

O passeio na Ilha Negra. P-260


Dias e semanas se passaram, mas as buscas continuavam. Um barco foi deslocado até a antiga casa de Margot, mas nada havia lá. Darío estava neste barco; ele queria checar pessoalmente o lugar. A casa parecia abandonada; o silêncio imperava por ali. Uma mulher humana que vivia numa outra casa, a quase um quilômetro dali, e que sempre passava por perto, confirmou tudo. Ninguém entrava ali há pelo menos dois meses. Era como se a casa fosse assombrada e de mau agouro. 

Na tarde de um domingo, Milo saiu de Esmirna em um passeio até a Ilha Negra. O objetivo era visitar Frei, que trabalhava na ilha. Com ele, além dos marinheiros do barco e alguns funcionários do reino, estavam Bah e Milka. Milo queria ver pessoalmente como estava a situação da ilha. Frei lhe contava tudo o que se passava por ali. A ilha também tinha sido inspecionada pelos homens de Darío. Cada canto tinha sido vasculhado, inclusive nas várias cavernas que a ilha possuía.

Bah, nunca tinha pisado na Ilha Negra, apesar de Milka convidá-la sempre para ir lá. Quando estavam chegando e o grande farol despontou no horizonte, ela admirou a beleza da paisagem, a água muito azul e as pedras negras. Havia muitas aves na ilha, principalmente no lado posterior ao porto. O comércio continuava muito movimentado e um grande restaurante estava em pleno funcionamento, oferecendo vários pratos com frutos do mar. O castelo ainda estava em reforma, mas Darío já tinha conseguido dar um aspecto bem melhor ao velho lugar. Enquanto Milo foi fazer sua verificação comercial, ela ficou passeando com Milka, que lhe mostrava tudo. O passeio terminou na casa de Frei, situada numa pequena vila que se tinha formado recentemente e crescia rapidamente. A casa era pequena, mas bastante confortável. Como o dia estava quente, elas se sentaram numa mesinha com cadeiras de ferro para tomar limonada gelada que Milka tinha feito antes:

— O que está achando?

— É bonito aqui. Bem mais agradável do que pensei.

— Antes não era assim. Melhorou bastante. O nome "Ilha Negra" dava a impressão de ser um lugar ruim, mas agora dizem que é porque as inúmeras pedras daqui são negras. Parece que aconteceu aqui o que aconteceu antes na Cidade Murada. A maioria dos homens e mulheres mal-encarados e de má índole sumiu daqui.

— E esta mudança partiu de Darío, não?

— Sim. A mudança começou com ele. Parece que também com a Rainha Melina, mas principalmente com ele.

— Eu penso que Milo tem muito a ver com isso. Ele exerceu uma boa influência sobre os pais. Principalmente sobre Darío. 

— Darío ama o filho; esta é a explicação de tudo. Eles dois ganharam muito, pois o amor nos torna mais fortes. Margot perdeu.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Margot escapou outra vez! P-259

Eles ficaram olhando para o mar, para aquele ponto onde alguns segundos antes havia um barco. O que fazer agora? Como se persegue um barco desaparecido, que evaporou no ar? Dario, frustrado, pega uma pedra solta do muro e arremessa longe.

- Ela escapou de novo!

- E se a magia que ela usou for de invisibilidade? - perguntou Milo.

Todos se aproximaram do mar e prestaram a atenção. Mas, além do rumor das ondas, nenhum outro som era ouvido. Nenhum deslocamento de água devido a passagem de um barco. Na dúvida, Dario lançou uma magia reveladora e nada. O barco não estava invisível, o barco não estava mais ali.

- Se o barco apenas se deslocou desta área, ainda podemos interceptar o barco mais adiante!

Todos correram para a administração do porto. Dali entraram em contato com um pequeno porto de passagem para o mar aberto, que ficava mais adiante. Dario explicou a situação ao marinheiro responsável naquele momento.

- Senhor - disse o marinheiro 3 minutos depois - não há nem sombra de barco com estas características por aqui. Apenas os de sempre: barcos pesqueiros, barcos de transporte...Vou lhe passar as imagens.

No painel da administração uma imagem apareceu, bastante nítida e clara. Dario e seus companheiros checaram cada centímetro e esperaram com paciência por pelo menos 10 minutos. Nada!

- É, pelo jeito o barco foi deslocado para longe daqui.

Dario, Milo, Thales e os guardas voltaram para o palácio. Encontraram a rainha Melina sentada meneando a cabeça como se dissesse: não acredito que isso está acontecendo.

- Será que ela voltou para sua antiga casa? A casa que ela morava com o marido pirata? - Thales perguntou.

- Pode ter certeza que ela não vai ter sossego.Vou iniciar a busca agora mesmo! - Dario não se conformava.

- Ela teve sua chance - Melina tinha se levantado, o rosto transtornado - Todos merecem uma segunda chance, não? Agora acabou. Não haverá mais misericordia.

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domingo, 26 de julho de 2026

A Fuga P-258

O proprietário do bar na Rua Dois da Cidade Murada estava visivelmente espantado ao ver o Rei em pessoa, além de guardas e príncipes, invadirem seu estabelecimento, todos com armas nas mãos.  Isso, poucos minutos depois, em que a senhora Margot tinha saído dali muito apressada, com seus seguidores logo atrás. O que estava acontecendo? Logo, ele ficou sabendo de tudo e seu espanto aumentou ainda mais. Os guardas desceram ao porão apenas para constatar a verdade.

— Para que lado ela foi? — Dario levantou a espada enquanto falava. Não precisava daquilo, porque a resposta veio mais que depressa:

— Foram para o lado do porto. Senhor, eu não tenho nada a ver com isso!

— Veremos!

Eles saíram dali rumo ao porto; estavam bem perto de lá. Uma comunicação rápida foi feita por um dos guardas aos funcionários do porto para que interceptassem qualquer barco que tentasse sair da Cidade Murada. Mas, ao chegarem lá, era possível ver uma embarcação avançando rápido mar adentro, já além das ondas. Os marinheiros tinham recebido a ordem e pegado seus arcos e flechas, pois espadas nada mais podiam fazer. Todos subiram na muralha alta do porto e miraram as pessoas do barco. Era possível ouvir vozes alteradas vindas do barco, inclusive uma voz de mulher: Margot!

— Atirem! Atirem! — Dario gritava e foi o primeiro a lançar sua flecha.

Uma chuva de flechas caiu certeira sobre o barco que fugia apressado. Os ocupantes do barco gritaram; estavam sendo atingidos, mas Margot levantou os braços e pronunciou duas palavras mágicas: o barco e seus ocupantes sumiram como se nunca tivessem estado ali.

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domingo, 12 de julho de 2026

A Luta! P-257


Milo guardou rapidamente o comunicador no bolso, no mesmo momento em que, com a outra mão, pegava a espada. Dario correu para pegar a sua, que estava encostada na parede, enquanto fazia sinal para todos manterem o silêncio. Athina, por sua vez, cobriu a porta de defesas mágicas, mais ainda do que já tinha colocado antes. Os passos pararam em frente à porta; era possível ver, pela fresta embaixo dela, que os encapuzados estavam ali, mas tinham hesitado em entrar.

De repente, apareceu uma luz forte e um estrondo alto se fez ouvir. Um deles estava tentando derrubar a porta com magia! Ao mesmo tempo, o outro encapuzado chutava a porta com força. Mas a magia de Athina resistiu aos ataques; a porta continuou intacta. Logo depois, gritos foram ouvidos lá fora. Milo reconheceu a voz de Thales, que tinha chegado com os guardas. Começou uma luta feroz no corredor. Dario fez sinal para Athina abrir a porta, mas ela hesitou. Milo reforçou o pedido e, assim que a porta abriu, eles viram uma cena de guerra. Um dos invasores estava morto bem em frente à porta, cercado de guardas; o outro estava mais adiante, igualmente morto; Thales e outro guarda tinham dado cabo dele.

Dario olhava para aquela cena sem acreditar no que estava vendo. Como seu palácio tinha sido invadido daquele jeito? É claro! Margot tinha tido acesso às chaves e segredos das entradas! Ele estivera cego todo este tempo!

— Os outros estão lá embaixo no pátio — disse Thales.

Dario agradeceu a ele e ao filho pela grande ajuda, depois de dizer "bom trabalho" aos guardas. Eles retiraram os capuzes daqueles homens mortos, mas, para eles, eram todos ilustres desconhecidos.

— São todos mercenários — disse Milo.

Da porta veio um grito; era da rainha Melina, que tinha acordado bem no meio do tumulto. Ela estava olhando para a cena no corredor, visivelmente espantada. Athina estava do lado dela e Mara logo atrás. Dario olhou para todos e disse com determinação:

— Está na hora de pegar Margot!

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Os encapuzados de Margot. P-256

Ver que Margot realmente estava ali embaixo acalmou Thales, mesmo com a aparente ameaça que veio depois. O que ela podia fazer dali do porão? Por que estava ali com os seguidores? Esperando algo acontecer, algo se concretizar? Esperando o momento certo de agir? Na dúvida, Thales saiu de seu esconderijo, tomando todas as precauções para não ser visto. Assim que chegou à rua, procurou um lugar onde pudesse entrar em contato com Milo sem ser notado.

— Como estão as coisas por aí? Margot continua no porão.

— Tudo tranquilo, tranquilo até demais.

— Também acho. Talvez ela não tenha planejado nada hoje.

— Vamos nos certificar. Volte para o palácio e dê uma olhada no entorno. Principalmente perto das entradas e janelas. Pelos corredores parece estar tudo quieto.

O medo dos primos era de Margot enviar assassinos para tirar a vida do rei e da rainha. Dentro do palácio, Dario começou a recobrar a consciência. A rainha Melina continuava dormindo. Athina e Milo se postaram perto dele e se prepararam. Quando Dario abriu os olhos, sentou-se quase imediatamente, olhando para o filho com estranheza.

— O que está havendo aqui?

Em poucas palavras, Milo explicou tudo. Dario ficou alguns segundos assimilando o que tinha ouvido e então levantou da cama; seu rosto era uma máscara de fúria total.

— Não sei por que sua mãe quis dar outra chance para esta desclassificada! Ela só queria uma oportunidade para nos apunhalar pelas costas!

Foi neste momento que Thales entrou em contato com Milo:

— Há sinais de luta entre os guardas e homens encapuzados! Dois deles conseguiram entrar no corredor.

Milo se virou para a porta trancada no mesmo momento em que passos rápidos se aproximavam perigosamente dali.

(#`O′)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Executando o plano. P-255

O plano era muito simples: afastar Margot do palácio pelo maior tempo possível e, enquanto isso, Athina entraria em ação usando magia, fazendo com que Dario e a rainha Melina voltassem ao seu estado normal. Assim que entrou na sala, Athina já começou o processo mágico. Era importante ser rápida para não dar chance de Dario ou Melina se esquivarem ou tentarem algo contra ela.

Não demorou muito para os dois perderem o sentidos; isso fazia parte do despertar após serem vítimas de magia de controle. Rapidamente, Dario e Melina foram colocados em suas camas e todos tomaram posições de vigia na ala dos governantes do palácio. As portas foram trancadas por dentro e Mara saiu apenas para dizer aos guardas que o rei e a rainha não queriam ser incomodados, pois estavam muito cansados. Todos sabiam que Dario andava trabalhando muito; era óbvio que ele realmente precisava de um descanso.

Thales também saiu um pouco depois, retornou à rua dois da cidade para verificar se Margot ainda estava lá. Entrou sorrateiramente no bar e pediu uma bebida. Àquela hora o lugar estava quase vazio. Logo depois de terminar sua bebida, escapuliu rapidamente e desceu a escada rumo ao porão. Através de um espaço oco entre os degraus, espiou a reunião, que estava animada, mas não viu Margot. Gelou, mas manteve a calma. Alguns minutos se passaram. Será que Margot tinha voltado ao palácio? Já estava pensando em avisar Milo quando Margot finalmente apareceu, vinda de algum lugar no porão, e foi logo dizendo aos seguidores:

— Estou com um mau pressentimento. Há algo errado.

— Como assim?

— Meu sobrinho pode ter descoberto tudo. Aquele metido! Ele estava xeretando no palácio.

— O que você vai fazer, então? Pode ser só um pressentimento.

Margot deu um sorriso sinistro:

— Não posso falhar desta vez; esta é minha última chance.

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