domingo, 29 de março de 2026

Ele está morto. P-249

O espelho emprestava uma visão excelente da sala de Dario na Cidade Murada. Mas todos se aproximaram para ver melhor o corpo estendido no chão. Dario se aproximou cautelosamente com a espada na mão; a lâmina brilhava com os movimentos dele. Era possível ver a Rainha Melina, Mara e guardas do palácio ao redor do corpo, mas a uma distância segura. Dario virou o vulto escuro que estava emborcado e recuou para trás, assustado. Sim, era mesmo o mago Ron ali no chão, mas, pelo aspecto de seu rosto e braços, que não estavam cobertos pela roupa escura, ele estava morto há vários dias.

— Morto? — Milo se recuperou da surpresa rapidamente. — Quem o matou?

— Essa é a grande pergunta. Te garanto que não fui eu. — Dario deu seu famoso sorriso sinistro enquanto guardava a espada.

— Mas seus homens estavam atrás dele.

— Sim, mas eles tinham muito medo do mago. Foram avisados para não chegarem nem perto.

A rainha Melina examinava o corpo de perto:

— Ele parece petrificado. Isso é estranho.

Athina não se fez de rogada:

— Ele foi morto por magia. É assim que o corpo fica neste tipo de morte. — Todos olharam para ela. — Como vocês mesmos atestaram, ele foi morto há alguns dias. Eu não fiz isso. Minha magia foi apenas para trazê-lo de volta desacordado, não morto.

A Rainha Lara falou pela primeira vez:

— Ninguém está pensando que foi você, Athina. Sossegue. Bem, de qualquer maneira, esse problema está resolvido. O mago não trará mais problemas para ninguém.

— Verdade. — Milo olhou para todos. — Só para garantir nossa paz e tranquilidade, além de justiça pelas pessoas mortas por ele, não seria bom atestar por DNA e outros métodos que é mesmo o mago deitado aí no chão? 

Todos concordaram. E sim, no outro dia, foi verificado e confirmado que o mago estava oficialmente morto. Foi um alívio geral para todos. Mas a pergunta que não queria calar e que estava na cabeça de todos era: quem matou o mago Ron?

Quem? ❓❓❓❓

quarta-feira, 18 de março de 2026

Planos. P-248

A magia de transportar pessoas.

Milo falava com o pai pelos espelhos sobre vários assuntos, mas terminaram falando sobre a pista que este tinha seguido atrás de Mago Ron:

— Ele está deixando atrás de si um rastro de destruição — dizia Dario. — Ouvi várias pessoas na cidade e já tenho uma nova pista de seu paradeiro. A quantidade de pessoas que querem pegá-lo e fazê-lo pagar por seus crimes só aumenta. Não vai faltar ajuda. Designei alguns homens para cuidarem disso; assim que souberem alguma coisa, vão entrar em contato direto comigo.

Bah tinha contado para Milo sobre os progressos de Athina no Recinto das Portas e ele, junto à Rainha Lara, tinha conversado longamente com ela, depois que Athina descansou por dois dias seguidos.

— Sim, acho que posso trazer aquele mago. Fiz alguns testes com fandans dentro da ilha, mas fora daqui vou precisar de mais testes e pesquisas. Poderia começar com a Ilha Negra e ir cada vez mais longe, chegando à Cidade Murada e depois mais além.

— O objetivo seria trazer mago Ron magicamente até aqui? Muito perigoso. — A Rainha Lara se alarmou.

— Não, Dario está muito empenhado nisso, mandaríamos o mago para Cidade Murada — disse Milo.

— Só que lá não tem mago nenhum... — emendou a rainha.

Os dois olharam para Athina:

— Não vai ser preciso me mandarem para lá — ela se apressou em dizer. — Além de trazer o mago até a Cidade Murada, posso adicionar uma magia muito importante: ele chegará lá totalmente desacordado.

Milo e a rainha sorriram satisfeitos. Naquela noite, Milo contou para o pai sobre aquele plano:

— Perfeito! — Dario chegou a bater palmas com a notícia. — Aquele mago me paga!

Athina entrou em ação novamente; suas pupilas mais talentosas foram chamadas para ajudar. Ela levou uma semana e meia para desenvolver ao máximo sua nova técnica de mover pessoas de um lugar para outro, e justamente quando tinha chegado ao auge, os homens de Dario acharam o mago outra vez. Todos se organizaram para que a ação fosse conjunta e rápida. De Solemar, Milo e a Rainha Lara viam pelo espelho a sala de Dario na Cidade Murada, enquanto Athina começava a sua nova magia. Quando ela terminou, um corpo escuro e imóvel apareceu no chão da sala de Dario.

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sábado, 7 de março de 2026

Uma pista. P-247

Athina quando era jovem.

Bah abriu a janela da cozinha, colocou comida para os gatos e água para o café no fogão, enquanto a avó Fah arrumava a mesa com o mingau dos netos. Elas costumavam conversar enquanto faziam suas tarefas do cotidiano.

—Pois foi, Vó. Nunca vi Athina daquele jeito. Eu sei que ela está empolgadíssima com seus novos poderes, mas acho que ela foi longe demais desta vez. Eu fiquei com o coração na mão, uma aluna desaparecida é responsabilidade minha.

— Concordo com você. Mas ela te pediu desculpas, então reconheceu  que errou. Athina tem muito crédito com todos nós, pode errar de vez em quando.

— Certo, mas além disso ela não sabe quando parar. Só foi para casa descansar porque eu notei que ela estava muito cansada. Se eu não tivesse falado nada, possivelmente continuaria lá fazendo magia. Vó, estamos falando de uma fandan idosa; ela e Dara são as senhoras mais idosas da ilha de Solemar inteira. 

 Dara, uma fandam que nasceu nas primeiras gerações dos fandans, morava numa casa nos confins da floresta de Solemar onde cultivava flores e fazia doces. Teve muitos filhos que lhe deram muitos netos e bisnetos.Os trinetos e tetranetos não paravam de crescer em número e alegria. Aos domingos, quando a família se reunia, não era possível que todos coubessem na antiga casa de Dara.

É claro que os fandans não são como os humanos. Numa idade avançada, os fandans só perdiam em força e energia; o metabolismo ficava mais lento que o normal. Em alguns, como Athina, o cabelo tomava a coloração branca, mas nada além disso. Em fandans com genética acima de 70% de fadas e pouco DNA humano, nem ao menos isso acontecia. Fandans também não se cansam como os humanos e dormem apenas 2 horas por noite em média, mas muitas noites sem dormir levam ao cansaço, não apenas físico, mas também mental. Era o caso de Athina. Fah teve que concordar com a neta. A maga estava exagerando. 

 Naquela noite, Milo chegou na casinha da floresta com uma novidade:

— Dario entrou em contato comigo hoje. —  Eles tinham passado mais de duas semanas sem conversar. Quando Milo perguntava à mãe onde estava o pai, ela respondia apenas que Dario estava viajando.

—Alguma novidade?

—Sim! —  Os olhos de Milo brilharam — Eles encontraram uma pista do Mago Ron. Dario nem pensou duas vezes, foi atrás junto a uma comitiva no seu melhor barco. Chegaram numa cidade humana que não conheciam, saíram perguntando e investigando e nada. Ele realmente esteve lá, mas sumiu no dia anterior à chegada do barco. E ainda deixou um bilhete dizendo: "Vocês nunca vão me pegar."

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Afinidade Mágica. P-246

Assim que caiu no piso daquele lugar, Bah já tomou uma posição defensiva. Mas, aparentemente, não havia ninguém por ali. Sim, era o Recinto das Portas! Ouviu passos que se aproximavam depressa. Duas fandans entraram em seu campo de visão, não foi surpresa total, mas ali estavam Athina e Cachinhos Dourados, as duas muito sorridentes.

— Bah, desculpe o mau jeito! — disse Athina.

— Então era você o tempo todo?

— Exato! Eu descobri que posso deslocar fandans de um canto para outro dentro da ilha. As portas me mostraram isso. Eu vi você na floresta com seus alunos e resolvi tentar, foi a primeira vez que fiz isso, mas não tinha como te avisar. Sei que não foi certo, lhe causei preocupação, afinal, você é responsável pelos seus alunos. Me empolguei, desculpe.

— Está desculpada. Acho que talvez você esteja precisando de um comunicador, como nós, professoras, temos e também as guerreiras do EVA.

— Sim, é verdade. Mas quanto a isso, tenho outra novidade! Estou desenvolvendo uma outra habilidade igualmente empolgante! Comunicação de mentes! — Bah, fez cara de espanto — Estou tentando com a rainha Lara, com a permissão dela, é claro. Como todas as habilidades, nem todos os fandans terão acesso, pois nem todos podem desenvolver telepatia. Não é maravilhoso?

— Sim, com certeza! E como está indo com a rainha?

— Ela sente dentro de sua mente que alguém está falando com ela, mas ainda não consegue entender o que estou dizendo. E outra coisa: você e Cachinhos Dourados podem se desenvolver muito com as portas. Sinto muita afinidade mágica em vocês!

Bah ficou realmente impressionada com as novas habilidades de Athina. Pelo jeito, as portas mágicas estavam abrindo um leque de possibilidades novas, não só para a maga, mas para todos os fandans. Ficou imaginando o que conseguiria aprender quando fosse sua vez de testar as portas. Pensou em pedir a Athina que a mandasse de volta para casa junto com Cachinhos Dourados. Mas, olhando atentamente, percebeu que ela parecia muito cansada.

— Acho que você deveria descansar, Athina.

— Sim, estou realmente precisando. Estou há 4 dias aqui, minha energia mágica está na reserva. 

 Bah lembrou que Athina era de um signo de fogo, tendo uma intensa e quase infindável energia, mas tudo tem limite. Enquanto Athina se preparava para ir embora, Bah se despediu dela, pegou Cachinhos Dourados pela mão e a levou para casa.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Bah investiga outra vez. P-245

Bah respirou fundo e manteve a calma, ela sabia que a pior coisa que poderia acontecer naquele momento era entrar em pânico. Chamou pelo comunicador outra professora que estava livre e perto dali. Sim, as professoras se comunicavam quando estavam em campo usando um comunicador muito parecido com o telefone celular dos humanos. Quando a professora chamada chegou, Bah não contou nada do que estava acontecendo, entregou os sete alunos a ela, pedindo que os levasse de volta em segurança. Quando ficou só na floresta, finalmente entrou em ação. O silêncio tomou conta e tudo estava extremamente quieto, nem vento passava por ali. Tinha algo estranho naquele lugar, mas não era como antes; no dia em que o túmulo sinistro foi achado, era perceptível que algo maléfico estava no ar, desta vez não. Aquele ar parado não causava medo.

Primeiro, Bah usou as táticas que tinha aprendido no grupo EVA para achar pessoas perdidas. Isso durou uns 30 minutos, ao fim dos quais nada encontrou. Cachinhos Dourados tinha sumido rápido demais, isso só podia acontecer se houvesse magia envolvida. Se concentrou, lembrando-se de suas aulas de magia. Havia uma magia que funcionava como rastreio. Bah se posicionou no lugar onde estava com seus pequenos alunos quando Cachinhos Dourados sumiu. Quando falou as palavras mágicas, um rastro de luz dourada seguiu da trilha até duas árvores situadas a uns 50 metros dali e parou. O rastro de luz parecia formar uma porta entre as árvores, a luz foi ficando mais forte e, de repente, um braço feminino surgiu acenando. Será que tinha sido aquilo que a pequena Fandan tinha visto?

Bah caminhou até as árvores, como que hipnotizada, o aceno era irresistível. Naquele momento, algo inesperado aconteceu: ela se viu no meio de uma espécie de turbilhão de luz e vento. "Estão me levando daqui! Deve ser a mesma pessoa que levou Cachinhos Dourados!" Não tinha como reagir, foi tudo muito rápido. Em alguns segundos, não estava mais na floresta, estava em outro lugar com paredes e portas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O desaparecimento P-244


Enquanto Athina treinava sua mente e sua magia no recinto das portas mágicas, a notícia de que todos os fandans teriam direito a fazer o mesmo se espalhou rapidamente nas duas cidades da ilha. Todos queriam ter esta experiência tão especial e diferente. Foram designados funcionários de ambos os palácios para organizar a lista dos participantes. Quem teria prioridade? Os mais idosos, com mais experiência de vida, e também os mais habilidosos em artes mágicas, que poderiam ajudar muito a Athina e suas pupilas em caso de um ataque à ilha.

Bah ficou na lista de prioridades, afinal, ela era aluna de Athina, fazia parte das guerreiras do grupo EVA e era mãe do filho do príncipe de Esmirna. Depois de tantas aventuras e problemas que todos haviam enfrentado com muita coragem, ela acabou se tornando muito amiga da rainha Lara e era a conselheira real mais jovem que Solemar já tinha visto. Bah sentiu um entusiasmo tão grande que mal conseguia esperar sua vez de entrar no recinto das portas.

A loja de Milka passou por adaptações, pois era justamente ali a entrada para as portas mágicas. Ela estava muito satisfeita, pois sua loja estava sempre cheia com esta novidade e as vendas tinham aumentado bastante.

Foi por aqueles dias que algo inusitado e preocupante aconteceu. Bah, tinha levado seus pequenos alunos para mais uma aula de campo no meio da floresta de Esmirna. O local era bem próximo de onde, no passado, foi encontrado um túmulo antigo e sinistro que posteriormente foi destruído. Após este episódio, a floresta voltou à sua exuberância normal, e nada de mau pairava por ali. Pelo menos era isso que todos pensavam.

Bah e seus alunos, oito pequenos fandans, entre eles a pequena Cachinhos Dourados, andavam pela trilha e eram apresentados a espécies de árvores, arbustos e pequenos animais que estavam por ali ao redor deles. Bah, mantinha todos juntos e, de vez em quando, contava, para constatar que estavam mesmo todos ali. Cachinhos Dourados começou a se afastar aos poucos do grupo, algo parecia lhe chamar a atenção por entre as árvores e ela ficava sempre para trás, estática e em silêncio. Bah, puxava a criança de volta ao grupo. Em determinado momento, vários coelhinhos apareceram na trilha e todos os alunos ficaram alvoroçados. Todos? Bah, voltou a contar, só havia 7 crianças ali. Cachinhos Dourados tinha desaparecido.

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