terça-feira, 25 de agosto de 2020

Milka outra vez P17

 

Os dias que se seguiram foram tranquilos, mas a Bah sempre que tinha algum tempinho pesquisava sobre os fandans negros. Descobriu assim que a neta da rainha Sol agora reinava no reino subterrâneo e os 52 fandans que anteriormente entraram nas profundezas da caverna nos tempos do rei Eduardo I,tinham se multiplicado e agora eram cerca de 250 fandans. No coração e na alma da Bah ardia a curiosidade e o espírito de aventura e por mais que ela tentasse,seu pensamento e vontade retornavam pra o mesmo ponto: queria conhecer aquele mundo subterrâneo.

Erik,sempre observador, percebeu tudo isso e mais uma vez lembrou a namorada e mãe de seu filho, que os fandans negros poderiam ser ainda menos amistosos do que tinham sido na caverna,eles tinham deixado claro em várias ocasiões que não queriam papo com ninguém. Aliadas a Erik, Syl e a avó Fah,endossavam as mesmas afirmações.

Em um sábado chuvoso e frio,era a época de muita chuva em Solemar, Bah estava na cidade como de costume vendendo seus doces,quando uma mulher apareceu ao seu lado.Seu rosto estava quase totalmente coberto com um capuz enorme e ela se vestia com roupas diferentes dos habitantes de Solemar.Bah percebeu imediatamente que ela não morava na cidade,de onde vinha e o que queria? Tocando o braço de Bah de leve a mulher disse:

-Se você quiser mesmo conhecer o mundo subterrâneo,posso te levar lá.

-Quem é você? Por que está me dizendo isso? Você nem me conhece.

-Conheço sim, mais do que você imagina.Estou lhe dizendo isso porque sei que você quer muito ir lá.

-Nunca lhe vi aqui. Mostre seu rosto.

A mulher agarrou o braço de Bah e a puxou para um beco lateral da praça, entraram numa loja que Bah pensou que estivesse fechada há muito tempo.O lugar estava cheio de mercadorias em prateleiras bem organizadas,mas não havia ninguém ali.A mulher deixou cair o capuz e sorriu.Bah ficou paralisada,reconheceu o rosto imediatamente,tinha visto aquele rosto muitas vezes antes,os traços familiares em um antigo diário...era sua tataravó Milka!

sábado, 15 de agosto de 2020

Explicações 2 P16

Depois da conversa esclarecedora com o namorado Erik, a Bah ficou sabendo que assim que ela e Syl saíram de casa pra ir a caverna, ele e seus amigos guardas foram atrás, pois estavam de sobreaviso perto da casinha da floresta. Na noite do mesmo dia, Bah, Syl e a avó Fah estavam sentadas na varanda, o aninho dormia no berço perto da janela. A avó de Bah quase não falara desde que a neta voltou pra casa. Mas aí começou:

- Meninas, toda esta história é um tabu pra nós fandans. Sua tataravó Milka, cujo diário você leu, também soube desta história, mas só depois que insistiu muito pra que alguém lhe contasse.

-Por que ninguém fala sobre isso,vó? Eles também são fandans como nós, depois de tanto tempo isso já deveria ter sido resolvido, eles poderiam voltar ao nosso convívio...

-Não é tão simples assim. Mas você tem razão... O que acontece é que com esta separação dos dois irmãos gêmeos reais, o nosso povo também se separou... de repente, nós que julgávamos que éramos um povo unido, sempre com bons costumes, boa convivência, grande tolerância com as diferenças e sempre conversando uns com os outros pra resolver as pendengas... notamos que não era bem assim... e o mau exemplo veio de cima, de um rei e de sua irmã...

-Sinceramente, eu acho que o rei Eduardo poderia ter perdoado a irmã, ela não queria o trono dele, só queria viver tranquila com os fandans que gostavam dela. Ele foi muito duro com ela.

-Muita gente pensa assim... mas pense, foi ela que causou a separação...

Bah ficou em silêncio. Syl só balançava negativamente a cabeça. Uma brisa leve soprou balançando as roupas no varal e aquele movimento fez a Bah se lembrar de outras roupas: as roupas negras dos fandans na caverna.

-Vó, por que eles são tão pouco amistosos? Eles olhavam pra gente com uma frieza que beirava a raiva! Não acredito que fandans possam ter sentimentos tão ruins e primitivos.

-Por isso que lhe disse que este assunto é um tabu e evitado a todo custo... o que se sabe é que alguns fandans da caverna se fecharam cada vez mais em seu mundo particular... eles achavam que eram injustiçados e sua rainha tinha sido desprezada como uma criminosa... por isso juraram nunca mais falar com os fandans seguidores do rei Eduardo. Sol não pensava assim e até o seu ultimo aparecimento, ela sempre tentou fazer as pazes, escrevia para o irmão, mas nunca obteve resposta.

Os dias foram passando... mas a Bah não esquecia o confronto na caverna e principalmente os olhos verdes do fandan negro que apontava uma flecha pra ela... não tinha raiva naquele olhar... estranhamente ela lembrou que a única vez que ficou presa nos olhos de um fandan foi quando começou a namorar Erik...

🌎🌊🌈🌄🌷

sábado, 8 de agosto de 2020

Explicações 1 P15

Sol, a rainha do subterrâneo.

Bah não lembra como chegou em casa depois do confronto na caverna. Ela não conseguiu falar nada por algumas horas. Syl ficou extremamente assustada e não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Mas no outro dia Bah chamou a avó e Erik para uma conversa. A primeira pergunta foi pra Erik:

- Você sabia o que ia acontecer? Porque você apareceu lá na caverna com os guardas da rainha?

- Ok, vou te contar tudo. Afinal você não vai sossegar enquanto não souber.

-Os fandans negros são os fandans que sumiram assim que nosso povo chegou aqui na ilha de Solemar. Não é isso?

-Sim. Eles fizeram uma escolha e passaram a viver separados de nós.

-Que tipo de escolha?

- Nosso primeiro rei aqui na ilha de Solemar Eduardo I tinha um irmã gêmea, nascida cinco minutos depois dele. O interessante é que Eduardo nasceu no ultimo dia do ano velho perto das 24 horas e a irmã, chamada Sol, nasceu nos primeiros minutos do ano novo. A medida que eles cresciam foi ficando claro que suas personalidades eram bem diferentes e que os fandans se dividiam entre os dois, muitos preferiam Eduardo e muitos outros preferiam Sol. Mas a maioria só tinha certeza de uma coisa: Eduardo foi o primeiro a nascer então deveria ser o próximo soberano dos fandans. E foi o que aconteceu, ele foi coroado e quando os fandans chegaram na ilha ele era o rei. O que aconteceu depois ninguém esperava.

- Continue! 

- Alguns fandans sumiram junto com Sol e nunca mais foram vistos. Dois meses após o sumiço Eduardo I recebeu uma carta de Sol explicando que ela e seus seguidores estavam vivendo no subterrâneo de Solemar, que estavam bem, e que não se preocupasse porque ela não tinha intenção de roubar o trono dele, apenas tinha achado melhor viver separada com aqueles que a preferiam como rainha. Eduardo viu que não tinha como impedir a irmã de fazer isso, mas estava claramente magoado com aquilo tudo. Ele acabou decretando que a irmã nunca mais deveria aparecer no castelo e em parte alguma de Solemar. Isso não impediu da família e alguns outros fandans procurarem por ela em segredo, até que acharam a entrada para o subterrâneo no lago da caverna. Nunca chegaram a entrar no lago mas Sol vinha conversar com eles. Depois da morte de Eduardo I e de Sol, os fandans negros seus seguidores, se tornaram reclusos e nunca mais apareceram pra conversar com ninguém.  Eles vigiam a entrada da caverna e não deixam ninguém chegar perto do lago...

-Mas, todos ficaram sabendo o que aconteceu?

-Sim, mas o assunto era proibido de ser comentado.Todo mundo fingia que os 52 fandans e Sol tinham morrido, pois era assim que o rei considerava a história toda. Ele dizia que a irmã tinha morrido e tirou até os retratos dela do castelo...

🌈

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O confronto P14

Um fandan negro
Tudo aconteceu muito rápido. Quase no mesmo momento que os fandans negros no lago apontaram as flechas para Bah e Syl, surgiu por trás delas Erik e mais dois amigos dele que eram soldados da guarda no palácio da rainha, e eles também estavam armados com as mesmas armas. As meninas ficaram duplamente assustadas com aquilo. Os guardas e Erik também apontaram as armas para os fandans negros e por um longo minuto eles ficaram se encarando, ninguém se mexia. O guarda central que Bah reconheceu como o capitão, se adiantou e disse:

- Nós vamos sair daqui com as garotas e vocês vão voltar para o lago de onde vieram.

Um dos fandans negros sorriu torto para ele e respondeu:

-Podemos fazer isso sim. Mas se mais alguém aparecer aqui na nossa caverna e neste recinto da árvore sagrada, não voltará para contar a história.

Ouvindo isso, Bah correu pra junto de Erik e Syl se posicionou atrás deles dois.O capitão trocou um olhar com Erik e disse:

-Muito bem, baixem suas armas e baixaremos as nossas.

Quando todos baixaram as armas o capitão voltou a falar:

-Vamos sair devagar, primeiro as garotas.

Bah começou a andar com Syl e Erik em direção a saída, mas não conseguia parar de olhar para os fandans negros, um deles em especial fazia o mesmo: olhava diretamente para ela, os olhos dele eram verdes claros e tão penetrantes que pareciam que enxergavam sua alma. Os cabelos e as roupas negras evidenciavam ainda mais a cor dos olhos.

Saíram do recinto do lago com os guardas logo atrás. Mesmo assim deu pra ouvir o mesmo barulho de antes: água em movimento e uma porta se fechando nas profundezas. Bah sentiu uma espécie de tristeza, como se tivesse perdido algo muito importante. Olhou para suas mãos: não tinha percebido, mas estavam tremendo muito.Fechou os olhos e começou a chorar.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Na caverna P13


No próximo fim de semana finalmente o tempo deu uma trégua e fez sol. Syl e Bah vestiram as roupas e sapatos de aventura, bem confortáveis mais resistentes, e se embrenharam na mata. Não falaram que iam explorar a caverna, apenas que iam andar pela floresta. Fah e Erik trocaram um olhar significativo, mas não disseram nada.

Um pouco antes do meio-dia chegaram a caverna. Syl convenceu Bah a explorar ao redor da entrada antes de entrar realmente. Bah achou que ela estava só querendo adiar o inevitável mas concordou. Não viram nenhuma outra entrada nem nada que chamasse a atenção por ali. Voltaram ao início e começaram a subir a encosta. Bah respirou fundo e entrou na caverna, Syl hesitou mas a seguiu.

Desta vez Bah não sentiu que estava sendo observada, apenas que ali dentro era mais frio que o exterior e muito silencioso. Após alguns minutos de caminhada começaram a descer e as passagens se tornaram mais estreitas. Bah e Syl tomaram todo cuidado pra marcar o caminho e não se perderem lá dentro.Começaram a ouvir um som característico de água corrente e após uma curva no caminho de pedras ladeado por um riacho...surgiu na frente delas um lindo lago azul iluminado pelo sol que entrava por uma abertura no teto da caverna. E no meio daquela beleza toda uma árvore florida cor de rosa. Era uma visão tão linda que por alguns minutos as fandans ficaram em muda contemplação.

Um barulho estranho surgiu inesperadamente como se uma porta tivesse sido aberta.E a água que antes parecia um espelho se agitou. Bah e Syl muito juntas se afastaram da beira do lago e se protegeram contra a parede da caverna. De dentro do lago surgiu o que pareceu 3 fandans negros, Bah e Syl que conheciam todos os fandans da ilha tiveram certeza que nunca tinham visto aqueles ali. Eles olharam pra elas com frieza e num piscar de olhos as meninas estavam na mira de 3 arcos com flechas apontadas diretamente para seus corações.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Fazendo planos P12


Bah e Syl se encontraram num sábado frio na cafeteria preferida delas no centro de Solemar. Bah estava tão entusiasmada com a história da tataravó no diário que só fez as compras básicas e deixou seus doces com a avó pra serem vendidos. Ela conseguiu deixar Syl tão entusiasmada quanto ela, com uma diferença: Syl nunca teve a coragem que Bah esbanjava desde sempre.
Combinaram de no outro dia irem a caverna, mas por puro azar, o domingo também amanheceu chuvoso,frio e com muita névoa. As duas ficaram tristes mas o jeito era esperar. 

No almoço a avó Fah sempre de olho na neta, acabou por perguntar o que estava acontecendo. Bah relutou mas acabou contando pra avó toda a história. Fah não ficou surpreendida, disse que já tinha ouvido falar do fandan negro da caverna, mas achava e a família toda também, que era invenção de Milka, pois ela sempre foi uma pessoa muito imaginativa e adorava inventar histórias. Isso foi um banho de água fria no entusiasmo da Bah.

Durante a semana ela teve uma idéia: foi na biblioteca central de Solemar pesquisar sobre a história dos fandans na ilha. Levando o aninho no carrinho,passou a tarde inteira lá. E com ajuda dos funcionários encontrou o que queria em um livro grosso e antigo. No livro estava registrado a data exata que os fandans chegaram na ilha de Solemar, quando eles se espalharam por toda a ilha enquanto era construída a cidade de Solemar. Um ano depois fizeram uma contagem dos fandans e perceberam que exatamente 52 deles tinham sumido! Procuraram várias vezes e nunca encontraram os sumidos.O mistério foi esquecido com o passar dos anos. Bah sentiu o coração disparar, alguma coisa lhe dizia que o fandan da caverna era um dos 52.